Guajava participa de encontro sobre Soluções Baseadas na Natureza para a proteção das águas

Dulce Moraes.
Dulce Moraes.

Comunicação In Natura

A especialista em adaptação climática com SBN e fundadora da Guajava, Riciane Pombo destacou a urgência de transformar a relação das cidades com os ciclos da água e ampliar as Soluções Baseadas na Natureza diante das mudanças climáticas

A Câmara Técnica de Proteção das Águas promoveu, no último dia 23 de outubro, o webinário “Soluções Baseadas na Natureza na Proteção das Águas”. A diretora da empresa, Riciane Pombo, foi uma das especialistas convidadas para contribuir com o debate sobre o papel das Soluções Baseadas na Natureza (SBN) na proteção dos recursos hídricos e na adaptação climática.

Com mais de 170 representantes dos Comitês de Bacias Hidrográficas do Estado de São Paulo, o encontro reuniu experiências e iniciativas de recuperação ambiental, além de apresentar oportunidades de financiamento pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) e avanços do Programa Município Verde-Azul.

Financiamento, políticas públicas e experiências nos territórios

Dois importantes incentivos à adoção de Soluções Baseadas na Natureza para a adaptação climática das cidades e a recuperação das águas são o financiamento de projetos por meio do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) e as iniciativas voltadas aos municípios, como o Programa Município Verde-Azul.

A assistente técnica da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), Vanessa Tourinho Nocera, apresentou os critérios de submissão e seleção de projetos ao Fehidro, destacando que os recursos podem ser destinados a projetos, pesquisas, obras e programas voltados à preservação e à recuperação dos recursos hídricos.

Outra iniciativa que, indiretamente tem estimulado adoção de SBN para adaptação climática é o Programa Município Verde-Azul, uma iniciativa que monitora e incentiva a eficiência da gestão ambiental municipal por meio da descentralização de políticas sustentáveis.  

De acordo com a diretora de Planejamento da SEMIL,  Maria Teresa Castilho Mansor, cerca de 73% dos municípios do estado de São Paulo  já aderiram ao programa. A especialista ressalta que.138 municípios dos 471 que aderiram ao programa  pontuaram em tarefas relacionadas às SBN. “Isso evidencia o avanço dessa agenda na gestão ambiental municipal, avalia a executiva.

Projetos bem avaliados

A diversidade de aplicações das SBN em diferentes contextos, biomas e escalas foi verificada nos projetos apresentados durante o evento.

O projeto vencedor do Prêmio Franco Montoro 2024 , na categoria Gestão da Água, foi desenvolvido pela prefeitura do município de Dois Córretos. 

O projeto teve como  eixo central a recuperação da qualidade da água de trechos dos Córregos com adaptação climática e adoção de Soluções Baseadas na Natureza. . Segundo o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Jefferson Padrin, o projeto, ao ser concluído, irá trazer não apenas arecuperação dos cursos d’água e melhorias ecológicas, mas entregará a população da cidade uma paisagem urbana educativa e com benefícios à qualidade de vida.

 

No no mês de setembro,  o município firmou o Decreto Municipal nº 6.085/26, que prioriza o uso de SBN em projetos urbanos. 

Já o Centro de Estudos Agroambientais Pindorama (CAPIN) compartilhou experiências de projetos voltados a revegetação de áreas de Reserva Legal e reflorestamento com por semeadura direta e sistema muvuca, nas cidades de Pindorama, Catanduva, Olímpia e Nova Granada. As iniciativas, que contribuem para ampliar a cobertura florestal na Bacia do Turvo/Grande, contaram com  a participação de produtores e comunidades locais e universidades.

SBN: uma resposta urgente aos desafios climáticos

Durante sua participação,  Riciane Pombo apontou as causas para um o cenário “colapso das infraestruturas cinzas” vivenciado nas cidades, perante a magnitude e frequência dos eventos climáticos.

 

A especialista enfatizou a importância da não dependência  exclusiva das estruturas rígidas no controle dinâmica da água e a importância de  incorporar os processos naturais ao planejamento urbano. Como ela explica, as SBN permitem integrar infraestrutura verde, recuperação de ecossistemas e gestão hídrica, contribuindo para reduzir vulnerabilidades e preparar os territórios para secas, enchentes e outros impactos climáticos

“Hoje estamos numa escala de urgência de mudança. E temos que aprender a conviver com os ciclos da água. Não podemos criar cidades lutando contra a água”.

Avanços na regulamentação e ampliação das SBN

Riciane também destacou os avanços na construção de referências nacionais para a aplicação das SBN, incluindo a elaboração de uma norma técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o desenvolvimento da Estratégia Nacional de Soluções Baseadas na Natureza.

Na avaliação da especialista, embora as diretrizes em discussão deem destaque aos contextos urbanos e periurbanos, as SBN também podem contribuir para a conservação de ecossistemas e a recuperação ambiental em áreas rurais, respeitando as características e necessidades de cada território.

A participação da Guajava no encontro reafirma o compromisso da empresa com a disseminação de soluções que conectam planejamento territorial, conhecimento técnico e processos ecológicos.

Adaptar nossas cidades e territórios às mudanças climáticas exige transformar a maneira como planejamos, ocupamos e cuidamos dos lugares onde vivemos — reconhecendo a natureza como parte essencial dessa transformação.