Escola, Natureza e Clima: água e soluções para fortalecer a resiliência climática
Dulce Moraes
Conexão In Natura.
Os efeitos das mudanças climáticas têm alterado a forma como a sociedade se relaciona com a água. Se por um lado, amplia-se a consciência da necessidade de cuidado e manutenção desse recurso essencial à vida, por outro, sua falta ou excesso trazem incerteza e aflição.
Períodos prolongados de escassez hídrica, que afetam o abastecimento e colabora com a elevação da temperatura nas cidades, e as chuvas intensas, que podem contribuir com enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra, são gatilhos para sentimentos de apreensão e insegurança em relação ao futuro. E essa realidade, infelizmente, impacta diretamente o cotidiano de crianças e adolescentes, inclusive no ambiente escolar.
Levantamento do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) revelou que mais da metade dos estudantes brasileiros do Ensino Médio ( 57,6%) estudam em escolas com baixa capacidade de prevenção a enchentes; e 33% estudam em unidades sem preparo para enfrentar períodos de seca.
Diante desse cenário, repensar a relação entre água e clima nas escolas torna-se urgente. E esse foi um dos enfoques dados na publicação Educação Baseada na Natureza, um guia para escolas mais verdes e resilientes, publicado pelo Instituto Alana, que contou com a participação da Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo.
Mesmo em pequena escala , soluções simples e acessíveis — como o aproveitamento da água da chuva para reúso — podem minimizar impactos ambientais, fortalecer a resiliência climática da localidade e reduzir custos de gestão escolar.
A criação e a conservação de espaços azuis nas escolas, como espelhos d’água e lagos naturalizados, despontam como estratégias eficazes para a reduzir as ilhas de calor, contribuindo para o conforto térmico, melhorar o aprendizado e bem-estar físico e emocional dos estudantes.
Duas soluções simples para escolas
Incorporar a água ao cotidiano escolar, com Soluções Baseadas na Natureza, é uma estratégia eficaz para adaptação climática e para tornar as escolas em ambientes saudáveis, resilientes e conectados com a natureza.
Veja a seguir duas soluções apresentadas no livro Educação Baseada na Natureza.
Para acessar a publicação completa, clique aqui.
Reservatórios para águas de reúso
A instalação de cisternas para captação da água da chuva permite o uso de água não potável na irrigação de jardins e na limpeza de áreas externas.
O sistema tem funcionamento simplificado e deve ser composto com a instalação de calhas e filtros. Para garantir a decantação de impurezas é necessário o descarte do primeiro fluxo. Além do benefício ambiental e econômico, é uma interessante ferramenta pedagógica para a educação ambiental.
Espelhos d’água e lagos naturalizados
Lâminas d’água em áreas externas ajudam a diminuir ilhas de calor, auxiliam na retenção de poluentes, favorecem a biodiversidade e criam espaços lúdicos de aprendizagem e contemplação.
Com planejamento adequado, lagos naturalizados tornam-se soluções de fácil implantação e com grande impacto ambiental e educativo, podendo agregar espécies de peixes e plantas aquáticas que farão controle de poluentes e insetos.
Guajava e Rios e Ruas: conectando pessoas aos rios urbanos
“Quem é o seu rio?” Com essa pergunta, o urbanista José Bueno, fundador do Instituto Rios e Ruas, convida crianças, jovens e adultos a descobrir os rios ocultos da cidade e a resgatar sua relação com os cursos d’água.


Em parceria com a Guajava, o Instituto realiza expedições, vivências e palestras para escolas apresentando a ecologia das bacias hidrográficas, fortalecendo a memória, o pertencimento e o vínculo afetivo com os rios — um passo essencial para sua valorização e recuperação. Acompanhe a programação pelo Instagram do Rios e Ruas
O que vem por aí
Nas próximas semanas, a série apresentará outras formas de tornas as escolas espaços mais resilientes, educativos e conectados à natureza.
Acompanhe os temas:
- Águas na Escola: Reservatórios (cisternas), espelhos d’água biológicos e lagos naturalizados;
- Miniflorestas, ilhas verdes, túneis vivos e paredes verdes;
- Telhados verdes, ventilação e iluminação natural como estratégias de conforto térmico;
- Elementos de brincar e salas de aula ao ar livre;
- Entrevista com Guajava e Instituto Alana