Bairro Centreville em Santo André receberá programa Periferia Verdes e Resilientes

Bairros da periferia de Santo André iniciam projeto de resiliência climática com apoio da Guajava

Dulce Moraes
Dulce Moraes

Conexão In Natura.

O mês de março foi marcado pelo  início das ações do projeto Favela Verde e Resiliente, nos bairrros Centreville e Vila Homero Thon, localizados na periferia de Santo André.

O projeto é uma iniciativa do Movimento de Defesa dos Direitos dos Moradores de Favelas (MDDF), no âmbito do Periferias Verdes Resilientes, programa conjunto dos Ministérios da Cidades (MCid) e do Meio Ambiente e Clima (MMA).   

Ao longo de 18 meses, a região receberá uma série de ações com enfoque em fortalecimento da adaptação e a resiliência climática, participação comunitária e implementação de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) para melhoria da qualidade de vida do moradores da região.

O projeto conta com consultoria técnica da Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo, referência nacional em adaptação climática com SBN e participante da elaboração do Plano SBN nas Periferias, que integra políticas públicas como Periferia sem Risco e programas Periferia Viva e Cidades Verdes Resilientes.

Leia também: Soluções Baseadas na Natureza chegam às periferias brasileiras como política pública de adaptação climática

União de forças

O Favelas Verdes Resilientes é realizado pelos programas Cidades Verdes Resilientes, Periferia Viva, Periferia Sem Risco, SBN na Periferia, Ministério das Cidades, Governo do Brasil e Movimento de Defesa dos Direitos dos Moradores de Favelas de Santo André (MDDF) e conta com apoio da Prefeitura de Santo André, Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo, Instituto Árvores Vivas e Instituto Rios e Ruas.

Representantes do Ministério do Meio Ambiente; da Secretaria Nacional de Periferias, do Ministério das Cidades; e das Secretarias municipais de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas  (Semasa) e do Desenvolvimento Urbano e Habitação de Santo André participaram da cerimônia de início do projeto, no dia 3 de março.

 

Representando a  Secretaria Nacional de Periferias, a consultora Maria Fernanda Nóbrega dos Santos, agradeceu a iniciativa e elogiou a presença maciça de mulheres da comunidade  no encontro.

" Isso mostra que vocês se importam e estão aqui para construir junto. Esse trabalho, muito mais do que trazer infraestrutura, reduzir riscos ou buscar soluções, é um trabalho de cuidado com o território e com a casa de vocês, de construção conjunta"
Maria Fernanda Nóbrega dos Santos
Consultora da Secretaria Nacional de Periferias,

O secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Santo André, Edinilson Ferreira dos Santos, destacou que a parceria é fundamental para levar políticas de adaptação e sustentabilidade a uma região vulnerável da cidade:

"Vamos trabalhar de forma conjunta em um projeto que focará em soluções ecológicas para minimizar os impactos causados por eventos extremos, como as inundações. Além disso, vamos fortalecer e ampliar iniciativas socioambientais que já realizamos no município, como os programas Moeda Verde, Ponto Limpo e Composta Santo André, com a criação de mais um Quintal Verde”, disse.
Ednilson Ferreira dos Santos
Secretário do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Santo André

Processo participativo

Uma série de atividades táticas e educativas para os moradores do território serão promovidas pela equipes da Guajava, do Institutos Rios e Ruas, do Instituto Árvores Vivas e do coletivo Nome aos Rios.

De acordo com  Felipe Palma, coordenador do projeto, a intenção é unir conhecimento técnico e saberes locais para construir caminhos que contribuam para um território mais verde, resiliente e com melhor qualidade de vida. 

 

“A primeira etapa é de planejamento. Depois, a capacitação técnica e, ao final, a implementação de quatro ações táticas na região.”
Felipe Palma
Coordenado do programa Favelas Verdes e Resilientes

Na opinião da  diretora da Guajava, Riciane Pombo, um dos grandes ganhos de projetos como esse é o fortalecimento do processos participativos e a capacitação da população para as Soluções Baseadas na Natureza como forma de construção coletiva de estratégias para enfrentar desafios climáticos e ambientais no território.

A ideia é identificar aspectos ambientais do território para que as SBN possam contribuir, inicialmente, de forma piloto na macroárea do Nova Centreville e, depois, serem replicadas em outras localidades”,
Riciane Pombo
Diretora da Guajava

Relação com os rios da cidade

O ponto de partida de um projeto de SBN é o estudo da bacia hidrografia. Em uma caminhada educativa,  representantes da comunidade puderam conhecer parte do percurso do Córrego Cassaquera.

A atividade foi conduzida pelo Instituto Rios e Ruas, com a participação do coletivo Nome aos Rios e equipe técnica da Guajava, tendo início no Posto Territorial Nova Centreville, percorrendo o Parque Guaraciaba e a nascente do Córrego Cassaquera e chegando ao Jardim do Mirante.

A atividade também foi uma oportunidade de levantar informações para o mapeamento inicial do território e identificar desafios e oportunidades relacionados à água, à paisagem urbana e às áreas verdes.

De acordo com José Bueno, fundador do Instituto Rios e Ruas, a ideia é aproximar o corpo das pessoas ao corpo do território:

“Costumamos estimular três olhares: o crítico, que identifica o que não está funcionando; o apreciativo, que reconhece o que já funciona; e o olhar do sonho, que é imaginar o território que queremos construir”
José Bueno
Instituto Rios e Ruas