Aldear a cidade: arquiteta indígena Ana Pankararu propõe arquitetura baseada na vida
Dulce Moraes
Conexão In Natura.
Um dossiê dedicado à relação Juventude e Territórios, é o resultado da edição de número 26 da Revista Diálogos Socioambientais, produzida pela Universidade Federal do ABC (UFABC).
Com textos de jovens pesquisadores, lideranças comunitárias, ativistas e educadoras de diversos territórios brasileiros, a publicação aborda, questões socioambientais, emergência climática, justiça ambiental e a produção compartilhada de conhecimento.
Das aldeias indígenas Kaingang e Pankararu a quilombos da Caatinga paraibana, de comunidades do Vale do Ribeira e reservas extrativistas da Amazônia à favelas e bairros periféricos de São Paulo, o dossiê traz um panorama de diferentes olhares sobre a relação da juventude e território.
A edição teve apoio do Centro de Pesquisa em Resiliência a Crises e Desastres Climáticos (CLIMARES) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Faoesp) e está acessível em versão digitalno site Diálogos Socioambientais.
Entrevista com Ana Pankararu
A edição traz uma entrevista especial entre a pesquisadora da USP e fundadora da Guajava, Riciane Pombo, com a arquiteta indígena Ana Pankararu.
Riciane Pombo, que integra a Câmara Temática Indígena do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), dedica-se à pesquisa sobre os saberes ancestrais e Soluções Baseadas na Natureza para a resiliência urbana.
Na entrevista intitulada “Aldear a cidade: a perspectiva de Ana Pankararu para uma arquitetura do diálogo e da vida“, as duas arquitetas refletem sobre a necessidade de descolonizar a prática urbanística e acadêmica.
Ana Pankararu revela que sua trajetória profissional na arquitetura foi profundamente marcada pela descoberta de sua ancestralidade. Nos anos em que atuou no mercado tradicional vivenciou um grande desconforto ao se deparar com visões e práticas arquitetônicas muito voltadas ao utilitarismo e desconexão com a natureza.
Ana Pankararu tece críticas à arquitetura ocidental, focada no consumo de recursos e que rompe os ciclos naturais e os vínculos humanos comunitários, e a classifica como arquitetura do adoecimento.
Em seu lugar, ela propõe uma arquitetura baseada na vida, defendendo o conceito de “aldear a cidade”, como resgate da ancestralidade indígena e promoção de espaços urbanos baseados no afeto e no diálogo.