Biovaleta: solução que ajuda a reduzir enchentes e dá destino ecológico às águas da chuva
Yara Pombo Popovic, Dulce Moraes
Comunicação In Natura.
Diante do aumento das tempestades e do excesso de asfalto nas cidades, a infraestrutura tradicional de drenagem urbana muitas vezes não consegue absorver todo o volume de água.
Para enfrentar esses desafios climáticos, as Soluções Baseadas na Natureza (SBN) tem se tornado alternativas sustentáveis para transformar a paisagem das nossas cidades e trazer mais resiliência.
Mas, como conduzir e tratar águas das chuvas que se acumulam nas calçadas e ruas, sem sobrecarregar sistemas de drenagem e galerias ou provocar mais alagamentos?
Uma das respostas mais versáteis e eficientes para esse dilema é a biovaleta. Trata-se de um canal vegetado, levemente rebaixado no terreno, projetado para acolher e conduzir a água das chuvas de forma inteligente.
Ao contrário das sarjetas comuns de concreto, a biovaleta é desenhada para receber, desacelerar, tratar, conduzir e infiltrar o escoamento de águas pluviais.
Despoluição e equilíbrio ecológico
Com camadas de areia e pedras e plantio de vegetação remediadora (plantas com propriedades de retirar poluentes), a biovaleta atua como um filtro natural. Com esse mecanismo, ela devolve uma água de melhor qualidade ao lençol freático, rios e aquíferos.
Além desses benefícios, as biovaletas e outras SBN integradas contribuem para:
- Trazer mais natureza ao espaço urbano
- Proteger a biodiversidade atraindo polinizadores.
- Combater poluição, retendo e filtrando poluentes
- Reduzir ilha de calor criando microclima com vegetação
- Melhora a qualidade de vida e paisagem urbana
Versatilidade e conectividade
O formato linear da biovaleta é adaptável perfeitamente ao sistema viário. Por essa razão pode ser instalada nas ruas, praças, parques, alamedas de condomínios, canteiros centrais, calçadas, faixas de estacionamento e até quintais de residências.
Ela também funciona muito bem quando integrada a outros dispositivos verdes, como jardins de chuva e terraços de chuva, potencializando o controle de cheias na cidade.
Sistema integrado ideal para parques públicos
Para resolver um problema de pequenos alagamentos, sem comprometer a mobilidade e paisagem de um parque público, a Guajava desenvolveu um projeto com sistema integrado SBN, com biovaletas e jardim de chuva.
O parque contemplado foi o Parque Municipal Lagoa do Nado, uma importante área verde na região norte da cidade de Belo Horizonte. A iniciativa foi viabilizada pelo projeto Interact-Bio, uma parceria entre Prefeitura de Belo Horizonte, ICLEI (Local Governments for Sustainability) e Governo da Alemanha.


A implementação foi essencial para diminuir a ocorrência de inundações recorrentes em momentos de chuvas extremas em um importante espaço de lazer público, com grande circulação de pessoas.
Na prática, o sistema trouxe como solução a condução das águas das chuvas – que escorriam com força e volume das áreas urbanizadas para dentro do parque – de maneira desacelerada e com mais capacidade de infiltração no solo.


Ao percorrer o sistema vegetado, a água passa por uma filtragem natural e é gradualmente absorvida pelo solo, reduzindo os riscos de alagamentos e protegendo a lagoa do parque.
Além do benefício técnico no combate às cheias, o projeto contribui para a melhora da biodiversidade local, valorizou a paisagem e tornou-se um modelo didático para a população, provando que a natureza é a melhor aliada para tornar nossas cidades mais seguras, bonitas e resilientes.



