Guajava debate adaptação climática e Soluções Baseadas na Natureza na São Paulo Climate Week
Dulce Moraes
Conexão In Natura.
A diretoria da Guajava, Riciane Pombo foi uma das convidadas do Hub Hub: Floresta, Biodiversidade e Oceano, promovido pela Fundação Florestal, na São Paulo Climate Week, a semana dedicada ao debate entre técnicos, governos, empresas e sociedade civil sobre desafios, inovações e soluções para as questões climáticas.
A convergência dos compromissos das conferências globais de biodiversidade e clima, seus reflexos nas políticas públicas e nas ações concretas dos governos subnacionais, estiveram entre os temas debatidos. .
Representantes da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, das agências ambientais paulistas, Cetesb e SP Águas, compartilharam avanços, desafios e experiências de integração dessas agendas.
Prática e presença das SBN nas políticas públicas
As Soluções Baseadas na Natureza têm exercido um papel relevante na adaptação climática das cidades e na proteção da biodiversidade e passam a fazer parte das diretrizes ambientais de governos subnacionais. Mas, de acordo com a diretora de Planejamento Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Marcia Itani, é fundamental que esta prática seja cada vez mais direcionada à escala intraurbana.
Desta forma, as políticas e instrumentos podem se aproximar da realidade dos territórios e fortalecer a visão integrada do desenvolvimento sustentável, avalia a executiva que destaca projetos como os realizados pela Guajava:
A gerente de Desenvolvimento de Ações Estratégicas e Licenciamento da Cetesb, Vanessa Guerreiro., sinalizou que crescimento na demanda por projetos com Soluções Baseadas na Natureza tem ajudado as agências ambientais e órgãos fiscalizatórios a aprimorarem análises e processos, como o de licenciamento ambiental.
A especialista afirmou quea agência ambiental acompanha sistematicamente os indicadores e dados climáticos, por meio dos inventários de emissões de gases de efeito estufa, e reconhece o potencial das SBN para a proteção da biodiversidade e a adaptação climática.
Capacitação dos municípios
Se por um lado o avanço da incorporação das SBN no Brasil tem ampliado o acesso a financiamento de projetos ambientais, esse cenário também expõe a carência na capacidade técnica de muitos municípios brasileiros, afirmou a diretora da Guajava, Riciane Pombo, que atua como consultora na elaboração da Estratégia Nacional de SBN, liderada pelo Ministério do Meio Ambiente.
Ela observa que os financiadores estabelecem diferentes níveis de exigência e que a falta de conhecimento e capacitação técnica cria barreiras. E afirma:
Infraestruturas verdes e azuis como parte das cidades
Para a arquiteta e urbanista, as Soluções Baseadas na Natureza devem ser compreendidas como parte da infraestrutura das cidades, em complementaridade às chamadas infraestruturas cinzas. Ela destaca o papel das agências reguladoras para estimular e exigir a incorporação de infraestruturas verdes e azuis nos projetos.
Mais do que uma mudança técnica, Riciane aponta a necessidade de transformar a forma como as cidades reconhecem sua relação com a natureza.
Adaptação e justiça climática e biodiversidade
Riciane Pombo chama a atenção para o fato de as mudanças climáticas trazerem a luz as desigualdades percebidas nos territórios.
Ampliar a biodiversidade dentro das cidades passa a ser uma importante estratégia de adaptação e de melhoria da qualidade ambiental urbana, na visão da especialista, que defende que as compensações ambientais sejam realizadas dentro dos municípios, aproximando os benefícios das áreas onde vive a maior parcela da população.
A diretora da Guajava sugere uma revisão da lógica do licenciamento ambiental. Na análise de novos empreendimentos, além de limitar e evitar novos danos ambientais, deveria se considerar o potencial de recuperação e melhoria das condições ambientais existentes.
Soluções aplicadas em diferentes escalas
As Soluções Baseadas na Natureza podem contribuir para justiça climática por serem aplicáveis em diferentes escalas e contextos. Mesmo intervenções aparentemente pequenas podem produzir benefícios ambientais e sociais, além de demonstrar, na prática, novas formas de adaptação.
No debate foram trazidos exemplos como o uso de telhados verdes em áreas vulneráveis, inclusive em favelas e moradias com poucos recursos.
Para Riciane, iniciativas desse tipo demonstram que as SBN não precisam necessariamente estar associadas a grandes obras ou investimentos para gerar benefícios. Elas podem contribuir para o conforto térmico, a biodiversidade e a adaptação diante de eventos extremos.
Da política pública à transformação dos territórios
A diretora da Guajava expôs a trajetória da empresa na elaboração dos Cadernos de Drenagem da cidade de São Paulo, que permitiram transformar conceitos em projetos mensuráveis e integrados às políticas públicas. Essa experiência foi levada para outras cidades e para estratégias em diferentes escalas de governo, como programas do SBN nas Periferias, do Ministério das Cidades, e a própria Estratégia Nacional de SBN (ENSBN), que vem sendo liderada pelo Ministério do Meio Ambiente e Clima.
A consolidação das agendas ambientais, segundo a diretora da Guajava, depende de uma articulação contínua entre políticas públicas, conhecimento técnico, participação social, regulação e iniciativas desenvolvidas nos próprios territórios. E a mudança de paradigma, segundo ela, não significa necessariamente inventar algo novo, mas recuperar conhecimentos e práticas de adaptação que já existem nas comunidades.
“Esse pensar diferente não é pensar inovador necessariamente, ele é tentar relembrar de onde que é a nossa origem.”