Escola, Natureza e Clima: soluções baseadas na natureza nas escolas melhoram saúde e aprendizagem na infância

Dulce Moraes
Dulce Moraes

Conexão In Natura.

Muitos estudos apontam que o distanciamento das crianças dos espaços naturais pode provocar graves consequências para a saúde física e mental. O aumento dos níveis de estresse, ansiedade e obesidade é cada vez mais frequente entre crianças e adolescentes.

Associados ao ambiente urbano e ao estilo de vida contemporâneo, marcado pela permanência prolongada em espaços fechados e pelo uso excessivo de telas de computadores e celulares, esses problemas são sentidos também pela ausência de espaços naturais nas escolas brasileiras.

Escolas sem contato com a natureza

  • 37,4% das escolas de educação infantil e ensino fundamental nas capitais brasileiras não têm áreas verdes. 
  • Em favelas 1 em cada 5 escolas não possui praças ou parques em um raio de 500 metros.

* Levantamento do Instituto Alana, em parceria com o MapBiomas

Paula Mendonça, especialista em Educação, do Instituto AlanaPara Paula Mendonça, especialista em educação do Instituto Alana, a sociedade como um todo precisa olhar para esse cenário e buscar soluções para revertê-lo — e as escolas podem ser grandes aliadas nesse processo.

“A natureza é um direito das crianças. O contato com a natureza é extremamente benéfico. A criança precisa do sol, do ar puro, de lugares verdes. Ela aprende melhor, cresce melhor e tem um desenvolvimento cognitivo e físico mais saudável”,  afirma.

Segundo a especialista, em um país continental como o Brasil, marcado por grandes diversidades e desigualdades, as escolas — presentes em praticamente todos os bairros — são espaços estratégicos para promover a aproximação das crianças com a natureza.

“Mais natureza na escola beneficia a saúde das crianças e o aprendizado. Se toda escola for mais verde, beneficia também a comunidade e a cidade.”
Paula Mendonça
Instituto Alana

Educação baseada na natureza e escolas mais resilientes

Para orientar escolas na adaptação de seus espaços e estruturas por meio de Soluções Baseadas na Natureza (SBN), o Instituto Alana lançou o livro Educação Baseada na Natureza: guia para escolas mais verdes e resilientes, com apoio técnico da Guajava Arquitetura da Paisagem.

A série Escola, Natureza e Clima, produzida pela Conexão In Natura, vem apresentando ao longo dos últimos posts as principais soluções abordadas no guia. 

Neste último post da série, selecionamos soluções que propiciam maior contato das crianças com a natureza, ajudando seu desenvolvimento e bem-estar delas e tornando a escolas mai resiliente e adaptada às mudanças climáticas.

Salas de aula ao ar livre

Os pátios ou áreas abertas da escola, com vegetação, adaptados para atividades coletivas podem facilmente se transformar em sala de aula ao ar livre.

Bancos feitos com terra e cimento ou tocos de árvores criam espaço para aulas ao ar livre. Imagem: Guajava/Acervo Instituto Alana. Todos direitos reservados

A disposição de elementos naturais, como troncos de árvores e mobiliários inspirados em formas da natureza, estimula a criatividade, amplia as experiências sensoriais e favorece novas formas de aprendizagem.

Hortas escolares e composteiras

Jardins sensoriais, hortas escolares e composteiras são opções de fácil implantação, que despertam a curiosidade e promovem o aprendizado sobre os ciclos naturais, além de fortalecerem a relação das crianças com o ambiente.

Horta em escola pública. Imagem gerada por IA

Muro de pedra com vegetação

O muro de pedra combinado com o plantio de vegetaçã é uma Solução Baseada na Natureza recomendada para a contenção de encostas e taludes, pois melhora a drenagem e ajuda a evitar erosão e deslizamentos.

Muro de pedras com vegetação. Ilustração: Guajava. Todos os direitos reservados.

As pedras ajudam a estabilizar o terreno e favorecem a drenagem. A vegetação — preferencialmente nativa e adaptada ao clima local — contribui, com raízes profundas, para  fixação do solo. Em alguns casos, é recomendável considerar um sistema adicional de drenagem.

Em escolas, essa solução pode contribuir na regeneração da biodiversidade e criar oportunidades de aprendizagem ligadas à educação climática.

Grade viva

Outra alternativa para a contenção de encostas que também pode se transformar em espaço de brincar é a grade viva. A estrutura é composta por grades de madeira estrutural instaladas em terrenos inclinados.

Grades vivas com vegetação. Ilustração: Guajava. Todos direitos reservados

Durante o preenchimento do solo, são plantadas mudas ou sementes de espécies com raízes profundas que, ao se desenvolverem, reforçam a estrutura. Rampas podem ser incorporadas ao projeto, funcionando como escorregadores e ampliando as possibilidades de uso lúdico pelas crianças.

Junto às grades vivas podem ser introduzidos espaços de brincar. Imagem: Guajava/Acervo Instituto Alana. Todos direitos reservados

Saiba mais sobre SBN nas escolas

Este é o último post da série Escola, Natureza e Clima. Mais detalhes sobre essas e outras soluções de adaptação climática baseadas na natureza podem ser encontrados aqui no blog da Guajava e no livro Educação Baseada na Natureza Para acessá-lo, clique aqui.

ENTREVISTA

Na próxima semana, encerramento da série Escola, Natureza e Clima, produzida pela Conexão In Natura para o blog da Guajava, você confere uma entrevista especial com Paula Mendonça (Instituto Alana) e Riciane Pombo (Guajava Arquitetura da Paisagem).

Imagem: Guajava. Todos direitos reservados
Quer aprender e levar projetos de adaptação climática com Soluções Baseadas na Natureza para sua cidade, comunidade ou escola?