Workshop da Guajava promove troca de experiências sobre Soluções Baseadas na Natureza para cidades
Dulce Moraes
Conexão In Natura.
Na manhã de um sábado, estudantes e profissionais de diferentes áreas se reuniram na Casa Confluência, sede da Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo, para participar do primeiro Workshop “Soluções Baseadas na Natureza (SBN) na Prática”.
A atividade foi conduzida pela especialista Riciane Pombo e marcou a abertura do programa de capacitações da empresa voltado à agenda climática urbana.
O encontro reuniu estudantes e profissionais de diferentes formações interessados em aprofundar conhecimentos sobre a aplicação de SBN em diferentes contextos.
A partir de exemplos de projetos reais, os participantes puderam compreender como essas soluções vêm sendo implementadas em escalas que vão de condomínios residenciais a intervenções urbanas mais complexas.
A abrangência do conteúdo foi um dos pontos destacados pelos participantes. Ao longo da capacitação, foram abordados temas como critérios técnicos para aplicação de SBN, estratégias de adaptação climática voltadas à realidade brasileira, regulamentação e licenciamento ambiental, além de processos participativos e soluções para promoção da resiliência urbana, especialmente em áreas vulnerabilizadas.
Soluções vindas dos territórios
A troca de experiências entre representantes de diferentes municípios ampliou o debate sobre os desafios enfrentados pelas cidades.
Um dos exemplos compartilhados foi o do município de Franco da Rocha (SP), apresentado por Nathalia da Mata, doutoranda e arquiteta da diretoria de obras do município. A profissional relatou uma solução desenvolvida para conter um processo de erosão em uma praça, utilizando estruturas de bambu.
A solução surgiu diante uma realidade real e necessidade de encontrar materiais alternativos e de baixo custo. A equipe responsável debruçou-se em pesquisas de projetos com essa característica e em manuais e grupos de estudo sobre SBN. O projeto tem despertado o interesse de outras cidades da Grande São Paulo.




Soluções e benefícios para as cidades
Entre os desafios discutidos, destacou-se a ainda existente resistência à adoção de SBN, muitas vezes relacionada à falta de confiança em sua eficácia e à dificuldade de integração com infraestruturas convencionais. Questões sobre manutenção e limpeza também surgiram como preocupações recorrentes.
Segundo Riciane Pombo, esses custos já fazem parte da rotina das administrações públicas.
A especialista destacou que incorporar SBN acabam proporcionando benefícios e ganhos reais aos municípios, como diminuir os riscos à saúde de trabalhadores, inerentes a manutenção subterrânea das galerias, e ganhos ecológicos e sociais com os processos naturais na remediação de efluentes.
A importância da articulação com universidades foi outro ponto enfatizado durante o workshop. Fernanda Maróstica, arquiteta e urbanista de Maringá (PR), destacou o potencial de colaboração com grupos de pesquisa e extensão.
Aprender na prática
Um dos momentos mais marcantes do encontro foi a construção coletiva de um protótipo de jardim de chuva. A atividade prática contribuiu para desmistificar o dispositivo, permitindo que os participantes compreendessem sua lógica de funcionamento e discutissem aprendizados sobre sua implementação.



Mais do que uma capacitação técnica, o formato presencial do Workshop favoreceu a aproximação entre profissionais com diferentes níveis de experiência, fortalecendo redes e preparando os participantes para atuar de forma mais qualificada na agenda de adaptação climática das cidades.