COP30 acabou. E agora? O que fica para as cidades — e como a Guajava contribuiu para avanços decisivos
Dulce Moraes
Conexão In Natura.
A COP30 chegou ao fim em Belém trazendo discussões intensas, expectativas elevadas e, principalmente, avanços concretos para a adaptação climática das cidades.
Mesmo sem um acordo definitivo sobre a redução do uso de combustíveis fósseis — ainda o motor central da crise climática —, a conferência entregou resultados importantes que moldam o futuro da ação climática urbana.
Reunimos, a seguir, os principais destaques do encerramento da COP30 e a participação da Guajava nesta edição histórica.
Avanços a comemorar:
Apesar das disputas em torno dos combustíveis fósseis, a COP30 consolidou compromissos relevantes:

Mais representatividade e justiça climática
Os documentos finais reforçaram o protagonismo de povos indígenas, comunidades tradicionais e populações afrodescendentes nas decisões climáticas — um reconhecimento fundamental para que políticas públicas considerem os territórios e seus saberes.

Fundo Florestas Tropicais para Sempre
A nova coalizão internacional foi anunciada com o objetivo de financiar a conservação e a restauração de florestas tropicais — essenciais para o resfriamento climático, a manutenção da biodiversidade e a proteção de populações vulneráveis.

Adaptação urbana fortalecida
A conferência definiu novos indicadores globais para medir o ritmo e a qualidade das ações climáticas dos países e estabeleceu a meta de triplicar, até 2035, o financiamento internacional destinado à adaptação das cidades — uma conquista decisiva para garantir qualidade de vida e resiliência urbana.
SBN ganham força no Brasil
A COP30 marcou um avanço essencial: o fortalecimento das Soluções Baseadas na Natureza (SBN) como eixo estratégico da adaptação climática urbana — tema no qual a Guajava atua há quase uma década e que esteve presente em diferentes espaços oficiais e paralelos da conferência.
Durante o lançamento do Mapa de Emergência e Resiliência Climática, da Rede para o Desenvolvimento Urbano Sustentável (ReDUS), o projeto do Parque Lago Cabrinha, da cidade de Londrina, desenvolvido pela Guajava, foi apresentado entre os exemplos de adaptação baseada na natureza.
Esse e outros projetos passam agora a ser visibilizados no GeoRedus, plataforma que disponibiliza de forma aberta e gratuita dados intraurbanos georreferenciados de moradia, população, saúde, educação e infraestrutura, entre outros. Um instrumento importante para apoiar gestores na tomada de decisões em políticas públicas para o desenvolvimento de cidades mais sustentáveis.
Estratégia Nacional para Aceleração de SBN nas cidades brasileiras
Outro destaque da COP30 foi a apresentação do processo de construção da Estratégia Nacional de Aceleração de Soluções Baseadas na Natureza, conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
A estratégia tem como base estudos, metodologias e projetos desenvolvidos pela Guajava ao longo dos últimos anos.
SBN nas periferias: política pública em expansão
A COP30 também marcou o anúncio dos municípios selecionados para receber projetos de adaptação com SBN no âmbito do programa Periferias Verdes e Resilientes — uma iniciativa que incorpora SBN como política pública e que contou com contribuição direta da Guajava em sua elaboração.
Vozes das mulheres pelo Clima
A participação feminina também ganhou força na conferência. E a diretora fundadora da Guajava, Riciane Pombo, signatária da Carta do movimento Mulheres pelo Clima e Biodiversidade, apresentou de forma comovente um manifesto pela SBN, reforçando a urgência de ampliar as Soluções Baseadas na Natureza nas políticas públicas do país.